domingo, 17 de fevereiro de 2013


PEDIDO DO ORÁCULO DO PÃO DE 17, 18 E 19 DE FEVEREIRO DE 2013

CONTRIBUA PARA ESTA CAUSA! 



PERCEBEMOS O MUNDO POR MEIO DOS SENTIDOS; 
IMAGINE SER PRIVADO DE UM DELES...



O DOM DA VISÃO

Tenho uma grande amiga que precisa de uma prótese ocular
da qual depende inclusive para poder continuar a trabalhar.
A prótese custa em torno de R$ 500,00 reais e há mais de 10 anos,
ela procura consegui-la por meio do serviço público; infelizmente, em vão. 
Portanto resolvi arregaçar a manga e lançar uma campanha pedindo a cada um de 
meus amigos, parentes e queridos que deposite entre R$ 10,00 e R$ 15,00 em uma 
conta bancária que abri, exclusivamente, para isso. 

Caso queira contribuir, por favor, encaminhe um e-mail para: claucoelho@uol.com.br, 
para que eu possa informar os dados bancários para depósito.  

CONTO COM SUA COLABORAÇÃO!!!






Grande abraço,

Cláudia

sábado, 16 de fevereiro de 2013


ORÁCULO DO PÃO DE 15 E 16 DE FEVEREIRO DE 2013



EXPECTATIVAS


“Insisti por tanto tempo,
em correr atrás do tempo,
que perdi o tempo,
de viver no momento.”


Cláudia Coelho


Estes versos tiveram origem em uma brincadeira que fiz dias atrás com um grande amigo, que apesar de exercer um ofício extremamente técnico é apaixonado por línguas.

Estava eu a lhe explicar como os fonemas tem um potencial expressivo que transmitem sensações, em especial os sons consonantais, contrastando as consoantes “líquidas”, “suaves” como o “l” e “lh”, em “mulher de ilhargas largas”, que transmitem sensualidade; com o “t”, uma consoante que transmite opressão, obstáculo, dificuldade, quando criei os versos acima.

Em seguida, sem pestanejar, ele me disse: “Escreve, Cláudia, para não perder a ideia”.

Passei os dias seguintes com essa pequena estrofe em minha cabeça; pensando sobre o que eu queria expressar, sobre como poderia expressar – ruminando... e, por fim, hoje compreendi o que queria: falar sobre a necessidade de estar no aqui e agora, sem expectativas.

Hoje participei de um processo seletivo em uma escola sobre a qual havia criado grandes expectativas. Já havia passado por todos os testes de conhecimento linguístico, pedagógico; participado de uma dinâmica de grupo e essa seria a última etapa. 

Acordei tranquila, o que é raro - pois sou uma ansiosa de carteirinha. Dirigi-me à escola fazendo exercícios de respiração e vocalizes e estava esperançosa; achava que finalmente tinha encontrado um lugar onde teria condições de crescer profissionalmente: sério, mais comprometido com a qualidade do que com a quantidade, com uma gama de opções para o professor se desenvolver.



 


Qual não foi minha surpresa ao me ver sentada em uma sala hi-tech, assistindo à uma apresentação extremamente profissional, muito bem organizada, cronometrada, mas que me fez sentir como se eu estivesse em uma grande corporação na qual o humano é citado como mais um dos índices que contribuíram para o faturamento do ano anterior.

Esse episódio, apesar de parecer banal, foi-me muito importante.

Saí de lá um tanto decepcionada e ao entrar em meu carro lembrei-me da pequena estrofe que escrevi acima; versos simples, mas que para mim dizem muito, e, também, do título de um livro que me foi dado por uma amiga, com quem perdi contato, mas cujas palavras sempre estarão presente em minha vida: “O Negócio é Ser Pequeno – Um Estudo de Economia que Leva em Conta as Pessoas”.

No caminho de volta, o trânsito estava terrível. Além de ser sexta-feira, por conta da tempestade que havia caído sobre a cidade no dia anterior, o trânsito estava terrível. E, no entanto, apesar de avessa a ficar dentro de um carro parada por mais 15 minutos, não me importei; estava em paz comigo e  valorizando a pessoa que me tornei – apesar dos tropeços, apesar de às vezes me sentir solitária, cheguei aos 50 anos sendo uma pessoa coerente com seus princípios, íntegra e - desculpem-me o lugar comum - alguém que coloca a cabeça no travesseiro e dorme em paz.



Com amor e integridade,
Cláudia Coelho

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013




ORÁCULO DE CINZAS E DA QUARESMA DE 13 e 14 DE FEVEREIRO DE 2013


(Dois em Um)

E AGORA, JOSÉ?




A FOLIA ACABOU,
A LUZ APAGOU,
O POVO SUMIU,
A NOITE ESFRIOU,
E AGORA, JOSÉ?
E AGORA VOCÊ?


E AGORA BRASIL?



Adaptação do poema "José",

de Carlos Drummond de Andrade




QUARESMA


Tempo de tirar a máscara

É sempre bom lembrar, não pelo aspecto religioso, mas pelo simbolismo e caráter ritualístico, que hoje tem início a Quaresma: do latim quadragesìma,ae (sc. parsdies) 'quadragésima (parte)'.

Este período de quarenta dias, que se inicia na quarta-feira de cinzas e termina no Domingo de Ramos, dia da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém que foi acolhido pelo povo com os ramos da alegria e gratidão, é seguido pela semana Santa que tem como ápice o Domingo de Páscoa – a festa máxima do Cristianismo, durante a qual é celebrada a ressurreição de Cristo. 

É um tempo de reflexão, de resgate espiritual e de resguardo no qual o católico se aproxima de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são exortados a comparar seu modus vivendi com a mensagem cristã expressa nos Evangelhos e, com base nesta, buscar a evolução do espírito e o crescimento pessoal.
Independentemente, de sua crença, acredito que o objetivo maior da quaresma possa ter ressonância em todos nós: buscar durante esse período meditar sobre o que pretendemos atingir e por que, ter a atenção voltada para o próximo e, por fim, resgatar o divino em nós.
Não, por acaso, a Campanha da Fraternidade também tem início na Quarta-Feira de Cinzas.

Fraternidade: do latim fraternìtás,átis 'parentesco entre irmãos’.

Beijos fraternos,
Cláudia Coelho



domingo, 10 de fevereiro de 2013



ORÁCULO DO PÃO CARNAVALESCO DE 10, 11 E 12 DE FEVEREIRO DE 2013

CARNAVAL
DA INTROSPECÇÃO À FOLIA


NADA CONTRA OS FOLIÕES, MAS VALE A PENA CONHECER
A ORIGEM E O OUTRO LADO DESSA FESTA



Inspirada pela entrevista com o professor de taoísmo Roberto Ostu, realizada durante visita a Zu Lai, o maior templo budista da América Latina, e levada ao ar em 09 de fevereiro de 2013 no programa Caminhos Alternativos da Rádio CBN, decidi escrever um post contando a história e origem do carnaval e lembrá-los de que “coincidentemente” em 10 de fevereiro de 2013, tem início o ano da serpente de água do horóscopo chinês.





A introspecção pode ser uma das formas mais satisfatórias de viagem.

(Cláudia Coelho)







O carnaval é uma festa que teve origem na Grécia entre os anos 600 e 520 a.C., durante a qual os gregos realizavam diversos cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e abundância de alimentos e que tinha o mesmo espírito dos bacanais, saturnais, lupercais e outras manifestações populares greco-romanas. 


Durante a Antiguidade Cristã, em cerca de 550 d.C., a Igreja Católica procurou dar um caráter diferente ao carnaval; celebrando-o como momento de reflexão e preparação para a quaresma - o período de resguardo que antecede a Páscoa.


O termo carnaval, deriva do latim "carne levare", significa "adeus à carne"  ou "abstenção da carne" e sua data era determinada na  Idade Média pelo ano lunar. 

O carnaval moderno, com desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.


De acordo com Roberto Ostu: “Por conta de seu perfil reflexivo e meditativo, o carnaval cristão do início da Idade Média tinha como objetivo levar o homem à introspecção e ao silêncio interior; o qual se assemelha aos princípios da cultura oriental”, e complementa, “Em virtude de nossos pensamentos agitados e, consequente comportamento inquieto, é necessário silenciar, de tempos em tempos, para que nossas atitudes tenham como base   a sabedoria interior. Podemos usar como metáfora um lago: quanto mais agitado, mais turvas suas águas, e mais difícil enxergar seu interior; no entanto, quando as águas estão tranquilas e cristalinas conseguimos enxergá-lo com profundidade”.

O professor também enfatiza a necessidade de nos sentirmos e de nos conscientizarmos de que somos parte da natureza: “Caso o indivíduo se sinta separado desta, irá se considerar o centro do mundo e se afastará de sua origem, de sua fonte. Deveríamos agir como os animais e as plantas que seguem seu ritmo natural de evolução e deixar de lado nossa prepotência. Tal atitude gera tranquilidade, pois nos leva a entender que há algo maior e além de nós regendo o universo e tudo que temos é o aqui e agora. Nossos problemas começam quando começamos a nos atritar com a natureza querendo controlá-la. Infelizmente, o controle é um traço humano.

Quanto ao ano chinês da serpente de água que se iniciou em 10 de fevereiro de 2013 Roberto Ostu diz: "A água simboliza o recolhimento e a meditação e a serpente, a sabedoria, a reflexão, o deixar-se levar pela vida. observe como ela se move de modo tranquilo, sinuoso, elegante. Portanto, nesse ano, ponderação, planejamento,  consciência e ajuste às leis da natureza devem ser nossas palavras de ordem na busca, como dizem os budistas, da alegria contente ou, em nossas palavras, da serenidade,  – o objetivo máximo do budismo".




E, por fim, sugere: “Procure todos os dias, nem que seja por cinco minutos, estar em contato consigo: desligue o celular, o computador, esqueça os compromissos e dê espaço a sua voz interior.

Abraços reflexivos e carnavalescos,
Cláudia Coelho



Templo Zu Lai

sábado, 9 de fevereiro de 2013



ORÁCULO DO PÃO DE 09 E 10 DE FEVEREIRO DE 2013


PONTO DE VISTA


Minhas opiniões não são unanimidade nacional e isso não mais me importa; afinal, até Lya Luft é por vezes obrigada a render-se a críticas e explicar-se aos leitores. 


Na realidade, aprecio quando me são oferecidos diferentes pontos de vista sobre um determinado fato, um determinado conceito ...  

O debate positivo, a troca de ideias sempre expandem nosso horizonte e visão de mundo. 








post que publiquei sobre a tragédia de Santa Maria em 01 de fevereiro e a crônica sobre oferecer a outra face, publicada em 28 de janeiro, causaram enorme controvérsia, comoção, debate e polêmica entre meus amigos e colegas de trabalho. Uma das declarações mais contundentes partiu de uma amiga tradutora, cujo ponto de vista vale a pena ser postado e cujo nome prefiro não revelar a fim de preservar sua privacidade:

X: “Bem, Clau, entendo e concordo com o que disse em seu blog de 28 de janeiro - que devemos modelar o bem, cuidar do próximo, respeitá-lo...
No entanto, em seu post sobre a exploração do ocorrido em Santa Maria, você citou alguns exemplos famosos de pessoas intrinsecamente do mal, dois deles certamente psicopatas os quais não têm um perfil biológico semelhante ao nosso. O que esperar de psicopatas, ou pessoas intragáveis? Se a sociedade sempre oferecer a outra face, como conter comportamentos hostis e antissociais que dificultam a vida em grupo?
Acredito que os pais sejam responsáveis por ensinar as regras da boa convivência e do respeito para com o outro e que esse processo demande uns 20 anos de atenção, sete dias por semana. Quanta energia não é gasta para civilizar alguém? No entanto, mesmo assim, muitos de nós não chegam à idade adulta com esses ensinamentos internalizados e, a partir de então, cabe à sociedade preparar o indivíduo para o convívio social. No entanto, caso este não se ajuste ás normas de boa convivência, acredito ser nossa obrigação deixarmos claro nosso repúdio. 
Também sei que  em certas situações é difícil agir, como no caso de um superior irascível do qual você dependa. Mas, não custa tentar pois...




QUEM SABE  VOCÊ  CONSIGA SAIR DA LINHA DE TIRO E
 LIBERTAR OUTROS CONSIGO?

Sou uma pessoa que busca entender meus semelhantes, mas sou intolerante com aqueles que demonstram ter graves falhas de caráter. Não gosto de pessoas que machucam gente inocente, aliás, ninguém gosta. 
Acabei de lembrar-me, sei lá por quê,  de um professor que tive no ensino médio. Não que ele fosse mau caráter, de forma alguma. Mas me lembro de que alguns alunos, dispostos a abandonar o curso, foram falar com o coordenador  sobre seu comportamento, e, também,  que outros professores também estavam, há anos, ‘entalados’ com sua postura arrogante. O que aconteceu no final das contas? Nada.





Quando será dado um basta à agressividade e ao assédio moral? “.


Bj.
xxxx

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013


ORÁCULO DO PÃO DE 07 E 08 DE FEVEREIRO DE 2013

ESCLARECIMENTO

( subst. masc: que elucida, torna compreensível) 

AMIGOS TRADUTORES E CURIOSOS LEIAM O "PS" NO FINAL DO POST: UM TEXTO DE VIRGINIA WOOLF SOBRE O OFÍCIO DO TRADUTOR


Algumas amigas têm me procurado em virtude do desabafo do Oráculo do Pão de 05 e 06 de fevereiro de 2013, no qual menciono meu desagrado com o “Universo Tradutório”.

Primeiramente, deixei claro em meu blog que não pretendo parar de traduzir ou escrever meus próprios textos - atividades que me dão o maior prazer - só não quero continuar a “traduzir por atacado” e ser obrigada a aceitar qualquer trabalho. A maioria dos tradutores que conheço também exerce atividades paralelas. 

Adoro lecionar e voltar a trabalhar como professora – atividade que exerço com muito orgulho há mais de 15 anos - não significa desistir, mas sim criar alternativas, abrir meu leque de opções.

Certo dia, uma grande amiga, também tradutora, comentou: “Cláudia, você é uma mulher  plural!”.

Concordo inteiramente  com ela e decidi fazer uso desse talento. 

Já trabalhei como bailarina, atriz, massoterapeuta, assistente executiva em uma multinacional... estudei percussão, desenho, escultura... e cada um desses afazeres me acrescentou algo de novo, ampliou minha visão de mundo e o que aprendi com essas experiências se expande em tudo que faço.
  
O ofício do tradutor costuma ser visto com certo glamour, mas como qualquer outro, tem seus prós e contras: demanda dedicação, empenho e cuidado "artesanal" no tecer e escolher das palavras. 

De modo geral, só tradutores entendem tradutores.


Tradução a Ponte Necessária
(título de livro de José Paulo Paes)


Com abraços esclarecedores,
Cláudia Coelho



PS:  Descrição acurada do ofício do tradutor

Um pequeno vinco se acentua entre suas sobrancelhas. Enquanto lê, franze a fronte. Lê, faz anotações e, em seguida, relê; ignorando todos os sons ao redor. Nada vê diante de si, exceto o grego. Entretanto, ao prosseguir a leitura, seu cérebro pouco a pouco desperta; e ele sente algo intenso e preciso tomando forma em sua mente. Ao fazer uma pequena anotação na margem, percebe que encadeia as frases com precisão e firmeza, com mais precisão que na noite anterior. Palavras, antes insignificantes, revelam nuances que alteram o significado. Faz outra anotação; eis o significado. Vibra com sua argúcia em desvendar o pleno sentido da frase, o qual está ali, claro, intacto. Mas, ele tem que ser preciso, exato; até mesmo suas anotações escrevinhadas devem ser tão claras quanto letras impressas. Recorre a um livro; depois a outro e, depois, com os olhos fechados, recosta-se para olhar - não pode permitir que nada se perca na imprecisão. Os relógios começam a bater. Ele ouve. Os relógios continuam a bater. As marcas de seu rosto se suavizam; ele se reclina, os músculos relaxam, o olhar abandona os livros e se perde nas sombras. Tem a sensação de estar estirado sobre a grama após uma corrida; e, então, por um instante, parece-lhe ainda estar correndo, uma vez que, sem o livro, sua mente viaja sem restrições por um mundo de puro significado; mas que gradualmente vai perdendo o significado. Os livros se destacam contra a parede, ele observa a encadernação creme e as papoulas no vaso azul. Por fim, ao soar da última badalada, suspira e levanta-se.


Extraído de “Os Anos”, Virginia Woolf, 1937.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013


 ORÁCULO DO PÃO DE 05 E 06 DE FEVEREIRO DE 2013!!!!

MAIS UM...


O QUE TIRIRICA, PALHAÇO, SHOWMAN E DEPUTADO FEDERAL MAIS VOTADO NO PAÍS APESAR DE MAL TER CONCLUÍDO O ENSINO FUNDAMENTAL, TIDO POR MUITOS COMO ANALFABETO, E CLÁUDIA COELHO, PROFESSORA, TRADUTORA E ESCRITORA, COM PÓS-GRADUAÇÃO EM PSICOPEDAGOGIA TEM EM COMUM? MUITA COISA!!!




Desiludido, Tiririca quer voltar a ser palhaço
(Publicado na edição online da Folha de São Paulo em 05 de fevereiro de 2013)


Desiludida, Cláudia quer voltar a lecionar
(Publicado no ritualdoalimento.blogspot.com.br em 05 de fevereiro de 2012)


Leia o texto abaixo que contrasta a realidade de Tiririca, e a de Cláudia Coelho - qualquer semelhança é mera casualidade. 

(T: texto com referência a Tiririca)
(C: texto com referência a Cláudia Coelho)

T: Deputado mais votado no país em 2010, Everaldo Silva (PR-SP), vulgo Tiririca, quer voltar a ser só palhaço. Desiludido com a política, ele disse à Folha que não disputará mais eleições e, findo seu mandato, em fevereiro de 2015, irá se desfiliar do PR.
C: Uma das participantes de maior destaque da turma que se formou no Curso de Tradutores e Intérpretes da Associação Alumni em 2010, Cláudia quer voltar a lecionar: Não que tenha desistido de traduzir, mas não mais pretendo traduzir livros por atacado. Reconheço ser importante que o tradutor cumpra prazos, mas estes tem de ser exequíveis".  
T: Na metade da legislatura, Tiririca, que se elegeu com a promessa de descobrir o que faz um deputado, disse que já entendeu que "não dá para fazer muita coisa".
C: Mesmo sem ter atingido renome no mercado editorial, Cláudia, sempre foi elogiada por seu trabalho. Idealista, ao se formar pela Alumni, tinha como objetivo se especializar em tradução literária por acreditar que teria espaço para criar e transmitir ao leitor brasileiro o conteúdo das obras que traduzia com fidelidade, fluidez e precisão linguística. Hoje, após ter traduzido mais de nove títulos, sente-se frustrada: “ Na maior parte das vezes, cumprir prazos é mais importante do que a qualidade do trabalho apresentado”.
T: O desalento, no entanto, nãé a razão para deixar o salário de R$ 26.7 mil, verba de gabinete de R$ 97.200 e direito a apresentar R$ 15 milhões em emendas.
C: O desalento de Cláudia, no entanto, não se resume à questão dos prazos: "No Brasil os tradutores são obrigados por contrato a  abrir mão dos direitos autorais a que têm direito - prática que não é praxe em outros países, como, por exemplo, nos Estados Unidos, que mesmo tendo como política econômica o lucro, considera o ofício do tradutor".
T: A justificativa é a falta de tempo para se dedicar ao que mais gosta: fazer shows (que lhe rendem mais dinheiro do que a Câmara). "Eu sou artista popular. Aqui me prende muito. A procura pelos shows é enorme e não dá para fazer", afirma ele
C: Sua justificativa para voltar a lecionar e não só se dedicar á tradução é , por conta dos prazos "apertados", ter de abrir mão das coisas que mais aprecia -  fazer exercícios, estar em contato com os amigos e com a família : “Sou uma pessoa que adora trocar ideias, criar, estar em contato com pessoas sedentas por conhecimento e o trabalho de tradutor é muito solitário. Sinto-me presa e, por vezes, obrigada a abrir mão de momentos extremamente gratificantes”, relata, Cláudia.
T: Acompanhar o crescimento de sua filha de três anos é outra razão. "Esses dias ela saiu nadando, é muito massa." Pai de seis filhos, Tiririca diz que não pôde estar perto dos demais e não quer repetir o erro com a pequena.
C: Não ter condições de acompanhar o crescimento de sua sobrinha é outro motivo: “Quando a encontrei, dia desses, ela já estava começando a ensaiar os primeiros passos e, infelizmente, não presenciei o processo do engatinhar ao caminhar. Que pena!!!!!!!!!!! Esse é um momento impossível de resgatar, mas quero partilhar os que ainda estão por vir.”
T: Quando voltar aos palcos, ele promete não fazer piada sobre política. "Quando a gente está fora acha que deputado não faz nada, mas eles trabalham para caramba”.
C: Cláudia não quer abandonar o trabalho como tradutora, mas acrescenta: “De modo geral, as pessoas acreditam que basta falar bem uma língua e usar o Google tradutor para fazer um bom trabalho, mas traduzir é um trabalho que demanda muito estudo, pesquisa, dedicação... Cada texto apresenta um desafio diferente”.
T: Nestes dois anos na Câmara, Tiririca diz ter aprendido muito: "Aqui é uma escola. Se aprende muito, podemos tanto seguir o caminho legal, quanto, 'o outro caminho" - o qual diz nunca ter sido convidado a entrar; porem, descobriu, que política não faz parte de seu projeto pessoal.   
C: Cláudia desabafa: “Aprendi muito nesse tempo em que me dediquei com afinco à tradução e não pretendo 'jogar pelos ares' a experiência que acumulei , ao contrário estou à procura de um espaço para ministrar minha 'Oficina de Tradução de Gêneros Textuais' e continuar a traduzir. Mas, a partir de agora vou usar outros parâmetros para selecionar meus trabalhos - e não vou me submeter, como nunca me submeti, ao que algumas editoras sugerem: ‘Dê um tapa, faz um pente fino, ninguém vai ler’. Quem garante?”.
T: Tiririca já deixou de lado os ternos importados (Armani e Hugo Boss) que usava para imitar boa parte dos líderes do Congresso. Adotou um visual mais moderno, que inclui paletó de veludo colorido, calça jeans e gravatas inusitadas. Agora, mandou fazer camisas personalizadas. Pediu um tecido que se adapte ao clima seco de Brasília.
C: Cláudia quer mais ter de seguir modelos preestabelecidos do que significa ser uma boa tradução e sempre se lembra do conselho de sua grande mestra, Lúcia Haddad: “A tradução tem de ser fluente, não pode ter sotaque”. E, completa: “Uma boa tradução tem de se adaptar ao ‘clima’ e linguajar do original".
T: Os novos trajes já renderam brincadeiras entre os deputados, mas também ajudam Tiririca a se entrosar. Durante seu tempo de permanência na Câmara, conseguiu fazer pelo menos oito amigos, entre eles o candidato à presidência da Câmara, deputado Júlio Delgado (PSB-MG), que perdeu a disputa ontem: "É um cara bacana", declara, Tiririca.
C: “Minha abordagem quanto ao processo tradutório já foi execrada e incensada. Portanto, decidi-me manter fiel aos meus princípios e partilhar minhas ideais com aqueles que tenham algo a acrescentar a meu trabalho”, declara, Cláudia.
T: Sobre o fato de ainda não ter discursado na tribuna da Câmara, desconversa: Para falar o quê? Nenhum de meus projetos foi aprovado. No dia que for, eu subo para agradecer”.
C: Ao ser questionada sobre como se posiciona perante às editoras, Cláudia diz: “Já me expus até demais e poucas das sugestões que fiz para que o tradutor tivesse mais suporte e feedback durante seu trabalho foram aceitas – na maioria das vezes trabalhamos 'no escuro', contando com a ajuda de colegas. Meu sonho é um dia poder incluir em um livro uma ‘Página de Agradecimento do Tradutor’, a qual não existe, mas deveria - traduzir é um trabalho de "várias mãos". 
Lembro-me de ter lido ou ouvido a declaração de João Ubaldo Ribeiro que, por ser fluente em alemão, decidiu verter um de seus livros para esse idioma e declarou: ‘Nunca pensei que traduzir fosse tão mais difícil que escrever’.  



SABEDORIA NÃO SE COMPRA, NÃO SE ATINGE COM DIPLOMAS ...
ADQUIRE-SE COM A VIDA!


A todos os amantes da arte de traduzir, 
Cláudia  Coelho


PS: Alguns amigos e conhecidos têm me perguntado: Por que escolher como paralelo Tiririca?". Por um único motivo: ele se sentir preso.
                   

MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO E DE REFLEXÃO DO ORÁCULO DO PÃO DE 04 DE FEVEREIRO DE 2013

“A sabedoria do Matuto”

Matuto: do latim matta + uto. 
Diz-se de ou indivíduo que vive no campo e cuja personalidade revela rusticidade.



matuto

                                                           Um relato de Cavalcante Ferreira gravado em 02 de fevereiro de 2013.

“Apesar de hoje morar na cidade, fui criado no mato, em um sítio e como não tinha muitos amigos, passava o tempo observando a ‘sociedade’ dos animais que viviam no quintal da casa de meu pai. Tinha de tudo: pato, peru, galinha, bode, cabra, cabrito, boi, vaca, cachorro...
Bem quando eu era pequeno eu costumava jogar milho perto dos meus pés e me divertia vendo os animais avançando pra cima de mim pra comer o milho. Mas, depois de ter ouvido um comentário do meu pai - um matuto, criado no mato, que não frequentou a escola, mas era sábio, tinha muita experiência de vida - o peru, em particular, passou a chamar minha atenção.  
Aquela ave danada comia de tudo, mas tinha uma coisa que ela adorava - o cocozinho seco da galinha - pra ela é como se fosse um ‘fandango’, um ‘salgadinho’. O peru ia ciscando aqui e ali atrás do cocozinho e comia sem parar. Mas, tinha um problema, como o pescoço do peru é muito longo o ‘salgadinho’ demorava pra chegar no papo dele e ficava entalado no pescoço. Aí, formava uma bola e o bicho começava a ficar sufocado e, sempre que isso acontecia, a gente fazia massagem no pescoço dele até que aquele bolo chegasse no papo; então, ele voltava a respirar normalmente e continuava a comer os ‘fandanginhos’.

Meu pai, depois de observar o que acontecia com o peru, chegou à seguinte conclusão: ‘Nós não podemos ser iguais ao peru e ficar se engasgando com cocô’.
O que ele queria dizer com isso? Que não podemos, principalmente no mundo de hoje, nos estressar com bobagem. Por quê? Porque a gente, por nada, acaba tendo úlcera, depressão, taquicardia, pressão alta, fica xarope e pode até ter um enfarte. Lógico que uma preocupação séria – a doença de um filho, de um pai, de uma mãe, de um familiar próximo; uma conta que você não conseguiu pagar porque o dinheiro que estava contando não entrou; um assalto, abala a gente, mas perder tempo com picuinha  – uma briga com o vizinho, com o porteiro, uma discussão com o cara que te deu uma fechada no trânsito... não leva a nada; essas bobagens a gente tem de deixar passar, pois numa dessas você pode até perder a vida.
Portanto, aprendi e guardo pra mim: não sou um peru pra me engasgar com cocô. Pra me tirar do normal uma coisa tem de ser muito séria. Ainda não virei monge, mas hoje vivo sempre zen, sempre tranquilo e com Deus em meu coração, só isso.

Sobre o autor do relato: Cavalcante é mais uma das pessoas, como Sanduca e Sônia, que entraram na minha vida de modo inesperado e hoje ocupam um lugar especial em meu coração. Sabe quanto tempo ele levou para fazer o desenho abaixo? Menos de cinco minutos. 

Obrigada Cavalcante!!!
Com amor e calor,
Cláudia Coelho







                                                                                              

sábado, 2 de fevereiro de 2013


     DESABAFO DO ORÁCULO DO PÃO DE 01 A 03 DE FEVEREIRO DE 2013 



“NÃO À EXPLORAÇÃO DA TRAGÉDIA EM SANTA MARIA!!!”

       
     
Ontem recebi uma Edição Especial de uma revista semanal e, em seguida, telefonei para meu pai perguntando se ele não queria ler o exemplar – afinal ele é uma pessoa que gosta de estar bem informado, ávido por analisar diferentes pontos de vista e que tem uma visão crítica e reservada sobre o que ocorre ao redor. Ele é um homem de poucas palavras; é preciso “futricar” para saber o que pensa.
Qual não foi minha surpresa ao ouvir: “Não aguento mais escutar sobre Santa Maria. Quando vão parar de explorar essa tragédia?”.
Parei para pensar, afinal não era a opinião de alguém que fosse insensível à dor do outro, muito pelo contrário, e deparei-me com o tênue limite entre sensibilizar e conscientizar a população, gerar ação e explorar de modo insano uma tragédia, desrespeitar os envolvidos. Por que publicar uma edição especial com fatos que já foram amplamente divulgados sob a pecha de fatos inéditos?
Em resumo, nesse caso específico chegou-se à conclusão de que a negligência da prefeitura, dos donos da casa, da banda que se apresentou...levou a uma catástrofe. E o que cabe aos veículos de comunicação e a nós fazer a partir de então?
Há duas opções: usar o terrível evento como aprendizagem para evitar outros semelhantes ou usá-lo para atrair a audiência de alguns que se alimentam da morbidez dizendo “Graças a ‘Deus’ não foi comigo”. (Coitado de Deus, o que Ele tem a ver com isso?)
Será que a mídia está preocupada como a excessiva divulgação do fato está repercutindo aos diretamente ligados ao incêndio da Boate Kiss? Caso seu filho estivesse entre as vítimas, como se sentiria ao ligar a televisão, o rádio, conectar-se à Internet e sempre ver em destaque o horror de Santa Maria? Isso o ajudaria a seguir em frente?

A imagem de uma mulher, viúva há dois anos, que perdeu seus dois filhos no incêndio, consolando em vez de ser consolada, chamou-me a atenção; em especial após vê-la ser abraçada por uma conhecida, dar as costas à câmera e partir chorando.

Meu desabafo não é uma execração à imprensa, muito pelo contrário. Admiro os meios de comunicação e seu compromisso em conscientizar a sociedade, mas é importante estabelecer limites entre o que serve de aprendizado, leva à ação e o que simplesmente gera o luto inativo.

O caso “Nardoni” causou grande comoção nacional. A atenção ao caso foi tamanha que só faltou ser divulgado o que o pai e a madrasta de Isabela tomavam no café da manhã e algum especialista em nutrição dar sua opinião sobre como os hábitos alimentares do casal influíram no crime.

Alguém sabe qual foi o destino de Suzane Richthofen, acusada e presa por ter planejado a morte dos próprios pais com o auxílio do então namorado Daniel Cravinhos e do irmão deste,  Christian Cravinhos?

O que sucedeu a Guilherme Pádua e sua esposa Paula Nogueira Tomaz após terem brutalmente assassinado Daniela Perez com 18 punhaladas? Pelo que sei ambos estão em liberdade.

Lembra-se do estuprador do parque que violentou e executou inúmeras garotas cujo desejo era se tornarem modelo? Onde está ele? Não tenho a mínima ideia.

Infelizmente, a memória de muitos, em virtude das exigências do dia a dia é curta, assim como a minha, e o desenlace de tais ocorrências, de modo geral, só continuam a ser acompanhados e estudados por terapeutas comportamentais.

Ressinto-me ao perceber que a mídia não reserva o mesmo espaço à histórias de superação como a do atleta parolímpico Oscar Pistorius, de 24 anos, que disputou os 400m no Mundial de Daeguque em 2012 com atletas olímpicos.

Infelizmente, tenho a impressão de que hoje estamos brincando de amarelinha, indo de uma catástrofe a outra agradecendo por, pelo menos dessa vez, não termos sido atingidos.
Mas, como disse Shakespeare: “São poucas as diferenças entre as histórias da humanidade”. Grande parte delas tem como origem o descaso. Qual seria sua reação ao saber que talvez você, ou os que lhe são próximos, fosse o próximo alvo?

Com indignação,
Cláudia Coelho


PS: Caso queira ouvir uma abordagem positiva sobre as implicações e reações à tragédia de Santa Maria, acesse a entrevista com a Monja Coen e o professor da FMUSP e psiquiatra Mário Rodrigues Lousã que foi ao ar no programa “Caminhos Alternativos” da rádio CBN em 02 de fevereiro de 2013:

http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=jgEcld01zPI